quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

FELICIDADE


Um elogio da pessoa amada,

Uma prece feita com fé,

Do meu time uma vitória suada,

Um bom banho e uma xícara de café.


Ganhar tempo a contar anedotas,

Andar sem rumo só por andar,

Escrever muitos versos e prosas,

Demonstrando como é bom amar.


Um bom livro lido com calma,

Um dedilhar no violão,

Tudo o que alegra a minha alma

É a felicidade para o meu coração.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

SOMENTE SER

Não quero a saudade
De um passado que eu nunca tive,
Não quero a ansiedade
De um futuro que não terei,
Não quero um ativismo
Que me faça desprezar o presente.
Quero poder parar
Sem que minha consciência mande: "ande".
Quero poder calar
Sem que minha consciência me force a falar.
Quero poder reconhecer que ‘o ser que sofre
Não sofre porque quer, mas porque é necessário’
Sem ser acusado de pessimista.
Quero buscar ser feliz
Sem que minha consciência me acuse de egoísta.
Quero poder contemplar o anoitecer
Sem me preocupar com o amanhã.
Quero admirar, ao amanhecer, o arrebol
Sem me preocupar com o que fazer.
Quero poder ser, sem agir, nem dormir,
Só sentir, sem êxtase, o dia que passa levemente
Como o perfume de uma rosa levado pelo vento.
Quero estar em consonância com a natureza
Tal qual um ser outrora vivente
De cuja matéria outras vidas fazem uso.
Quero me entregar sem reservas, nem subterfúgios,
Tal como um peixe que se deixa levar pela corrente do rio.
E, no mais completo equilíbrio, não mais querer,
Reconhecer o criador e encontrar o sentido da vida.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

DOMINGO DE INFÂNCIA

Ligo a televisão que está em cima de tijolos empilhados na sala

Após escutar o plim-plim vou mudando de canal, 

Meu corpo está cansado, minha mente mais ainda. 

A quilômetros daqui, um rio, ainda não poluído, corre devagar 

Enquanto alguém nele pesca em sua alegria serena e solitária. 

Ouço o meu nome, minha mãe me chama para almoçar, 

Que triste sina a das mães: dizerem quando os filhos devem estar com fome. 

O cheiro que vem da cozinha me faz flutuar até lá, 

Antes, porém, desligo a televisão de longe com um controle remoto. 

Meu pai chega em casa e se senta num tamborete, 

Enquanto solta os seus dois suspiros tradicionais liga a televisão, 

Da cozinha escuto novamente o plim-plim e me lembro: “hoje tem jogo do galo”. 

Vou para a sala com o prato na mão e encontro meu pai alheio a tudo,

Segura absorto as contas que minha mãe lhe passou;

Que dura sina a dos pais: trabalhar para sobreviver 

E fazer com que a família também sobreviva. 

Na televisão anunciam novos aumentos,

Nessa onda, vão acabar cobrando impostos sobre o oxigênio.

Penso: “deveriam ser proibidas notícias como estas num domingo”,

Mas não falo nada. 

Quando acabo de almoçar, vou para o quarto escutar Schumann e Tchaikovsky . 

Enquanto meu pensamento viaja, encontra naquele rio o pescador já de saída:

Vai para casa sem levar nenhum peixe, mas leva a alma tranqüila e esperançosa. 

FÁBULA DE ESOPO: O CORVO E A RAPOSA